quinta-feira, 13 de setembro de 2012

F.U.

Wondering if i'm still a writer
Leaving a procrastinated cave
In order to put an end
(Torment, torment... and end)

One soul can do myriad
One brain can solve thousands
One leg can't walk alone
(Can a heartbeat for someone?)

I'm not Ozzy (I'm a lucky guy)
Or even a singer or compositor
 I "just don't want you"!
(I want us... for us, you... F.U.)

(Pedro Jungler)



PS.: É isso aí que você tem quando tenta mover o motorzinho aqui gasto pelo tempo e procrastinação ¬¬. Crianças, não façam isso em suas casas.

terça-feira, 27 de março de 2012

Criatura Mal-Amada



Vejam, belas donzelas, no que ele se transformou.
Olhem com teus pálidos olhos o animal que virou.
Mirem seus ocelos de fogo. Caiam no desespero.
A beleza que já era muito pouca se acabou.

Gritam apavoradas: "Oh! Coitado!"
Ao passo que, hesitantes, temem.
Mas que falsa pena dum bastardo!
Que grunhe enquanto tremem.

Quiçá não saibam, mas o que veem agora
Não é meramente que a morte não tem hora!
Tal demônio crescia de cada uma, outrora!
Incubado em entranhas frias que gemem.

Foi tratado com tão venenoso desdém.
Sua vida, odes e sacrifícios a esmo.
Suplicou amor em versos para alguém.
Achava que a pena valia, amava mesmo.

Mas não foi feliz, nenhuma resposta fluía.
Como rios que queria navegar e não podia.
Azar num jogo, maldição num triste amor.
Seu coração escureceu-se, perdeu calor.

As musas nunca lhe correspondiam.
Só mandavam beijos ao ar, prometiam.
Amor, querido sentimento de todos.
Aos outros vinha. "Inútil, pois, a tolos?"

E tolos como ele logo sucumbiam de fúria.
Mudavam tudo em sangue e lascas, revoltados.
Pois se a eles amar era tal amarga injúria
Aqueles que amassem deveriam ser aniquilados!

Desde então, o amor é seu mais ledo inimigo.
Um fantasma figurado em beldades a combatê-lo.
Sua maldição é a sombra presunçosa de um idílio.
Senhoras, fizeram-no, mas não podem empecê-lo!

Enlouqueceram-lhe com tuas prerrogativas.
Obsequiaram-lhe esperanças em missivas.
E logo a cortina vermelha caiu; ele percebeu:
Todo seu esforço idilista e cego se perdeu.

Mataram-lhe, sim, uma parte, sem lamento.
Jogado nas trevas, almejava sem amor voltar.
Assim o fez, retornou vingativo num só intento:
Fazer-lhes por tanta ingratidão e desdém pagar!

2009
(PHP)


Ps.: Estou desde a semana passada na produção de um "Conto-quase-novela". Obviamente ainda não o terminei, mas, para não deixar "a água parada e dar criadouro ao mosquito do ostracismo", pensei que poderia postar alguma coisa de poucas que ficaram bem produzidas num tempo bem remoto onde eu escrevia. Li. Reli. Copiei. Colei. Reeditei (muito, pela segunda vez ou terceira na história deste poema, inclusive alguém aí com um "M" estampado na testa já o deve ter lido, eu mesmo o li novamente e achei que com esses reajustes ele ficaria bonzinho, pois estava mais descabelado que quenga de côco podre). Cá está um dos meus "doces favoritos". Ah, já ia esquecendo, antes mesmo de iniciar a produção do referido "Conto-quase-novela" acima, já havia iniciado um "Não-sei-o-quê" intitulado "Ululante". Algo com a temática parecida com a deste poema, mas em poucos aspectos. Espero terminá-lo também, NOSSAEUADIODEMAIS! *NOSSAVOCÊESCREVETUDOJUNTONÉCARA!?* (Riãsus)

domingo, 18 de março de 2012

Condensa Dor De Partículas

Um textinho assim bem condensado, bem carregado, compactado com pactos por fora, prestes a explodir por dentro, duro, concreto, conciso, de poucas palavras, de muitas interrogações e reticências, que faça os livros cheirarem a novos novamente, palpável, macio e, enfim, lexicalmente e estilisticamente agudo. Um texto como você.
Quiçá... Ei-lo aqui.
Oxalá que sim.

(PHP)

terça-feira, 13 de março de 2012

Ó fios, de que ternura o coração me enche,

Ó fios, de que ternura o coração me enche,
Ó braços de neve, que amenizam todo fardo!
Ó áureos! Ó imaculados! Ó par acolchoado!
Certas Luas estavas sobre os meus, dormente.

Ó belos olhos, cuja luz mal preenche
Escuros núcleos ofídicos! Ó mover amado,
Dos sombrios pumas andinos imitado
Pelos quais morreria esta alma displicente.

Ó face, cuja paz sempre alegria me incute,
E da qual os dulcíssimos níveos encantos
Talvez a própria Bastet inveje!

Ó perfeições! Um só ser entre tantos!
De quem sois?... SOIS DE VÊNUS? — Não te ilude!
Sois de Bárbara. Quatro patas. Quatro anos.

(PHP)

Dedicado a Bárbara Gata Orc.

Ps.: Planejo uma explicação em breve para este. A única dica que deixo no momento é "Du Bocage".

sábado, 3 de março de 2012

(Sem título)

Milhares de loucos vi na Terra.
Há os que se dizem tão sãos
Quanto a loucura dos irmãos
De quem, normal, só prospera.

Sanidade a eles sequer viera.
A que prezam muitos cidadãos,
Que jamais ousariam suas mãos
Ensejar qualquer loucura fera

Se tais anomalias presenciei,
O mundo é também de fezes,
Também um louco são amou.

Tu, meu louco, infeliz de mente, despertou;
O mais assombrado de várias torpes reses;
De sonho com ela não uma, mas duas vezes.


PHP

(03/03/2012)

Ps¹.: É isso mesmo, não tem título. Foi a única coisa que não consegui criar. Mas fica aqui uma reflexão inerente a este soneto (?) e a, não sei se acontece com outras pessoas, mim mesmo: Somos reféns da nossa mente? Ela brinca conosco à sua vontade, sendo deveras cruel muitas e muitas vezes? Sabe quando você não quer pensar num determinado objeto de sua vida, mas aí quase que do nada sua mente prega-lhe uma peça, uma circunstância de rotina, e você fica com aquilo latejando negativamente no cérebro, desde a hora de chegar em casa e dormir, consolidando-se com uma angústia pontiaguda nos seus sonhos? E quando você acorda com aquilo se sentindo BEEEM pesado, sem ânimo (Afinal, sonhar com muitas ações e sentimentos fortes surte o efeito contrário almejando de quem quer descansar. Alguns estudos constatam isso.), intrigado do porquê ter sonhado uma coisa que você deseja fielmente que aconteça na realidade, mas o sonho é uma justamente antítese dela? E quando você dorme e, no sonho, SONHA DE NOVO, ANGUSTIA-SE EM DOBRO? Seria culpa exclusivamente da mente, da loucura humana, ou há outras forças agindo? Por quê?

That's the conjunction.

"And therefore as a stranger give it welcome.
There are more things in heaven and earth, Horatio,
Than are dreamt of in your philosophy."

Ps².: Perdoem-me os clichês e sentimentalismos do Ps¹. A cabeça ainda não está funcionando bem para racionalizar a sintaxe necessária na composição de de um Ps mais digno.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Rubro Vinho

"Vermelho. Não, vermelho brandamente alaranjado, com uma nuança de linhas pretas.". Assim pensava ao contemplar o pôr do sol da pequena cidade. Pensamento gratuito? À primeira olhadela, sim, porém havia uma subjetividade sorrindo-lhe maliciosamente, invisível e petulante, por trás dos desarrumados cachos daquele homem que tinha por obrigação escrever um conto ao jornal onde trabalhava. Importava isto: ficar bom, ótimo, excelente; um ruim só serviria à lareira do diretor. Sabia que tinha inspiração, porém demorava a agarrar os instrumentos de trabalho e riscar qualquer artigo seguido de algum nome, ou apenas um substantivo (caso conciso quisesse se apresentar nas linhas introdutórias). A tal inspiração por vezes estava abaixo de sua nuca ou acima de seus óculos; nunca à frente. Não conseguia vê-la, todavia sentia a brincadeira cuja mesma fazia consigo. A pirraça não vinha. Não a via.

Como o ócio o consumisse, ensaiando a conhecida tristeza dos procrastinadores, resolveu pensar em outra coisa. E pensou nela: a ruiva do andar de cima. Morava na mesma pensão que ele, embora a três andares e quatro passos longos completos à frente da escada do quinto andar. Ele contara, paranoicamente... religiosamente! Várias vezes viu a si numa mescla de loucura e vergonha, carregando uma carta recheada com algum lirismo próprio, em direção àquele quarto de um só e tão belo inquilino. Em todas retornara mais rápido ainda no instante do "quase quarto passo longo", portando o papel dessa vez na outra mão. Havia sido encharcado de suor e amassado até criar estrias aleatórias, tamanho o nervosismo e a raiva de si pela covardia. Em pouco tempo retornava ao seu quarto, reunia todo o desgosto e enfiava a cabeça sob uma coberta que lhe provesse o abafamento necessário às suas pragas, "Porquês", e desejos mais inumanos. "Sim, inumanos, pois que sou um animal único apartado da coragem, solitário, no cio, num ciclo, do contrário não estaria repetindo meu sofrer. Sou um escravo de meus próprios instintos, os quais os homens chamam, ébrios, de 'paixões'.". Praguejava mais um pouco. Poucas horas depois deixava de ser bicho amargo e voltava a ser um homem de necessidades menos egoístas, como a de escrever para o jornal.

Enquanto se espreguiçava sentado na cadeira desconfortável que suas economias podiam comprar, ouviu passos na escada. Não os reconheceu, também não era tão tenaz assim sua fixação pela mulher para chegar a tal ponto. Todavia, criou-se em sua mente a esperança de que dela fosse tal barulho cujo carvalho na madeira dos degraus limpos recentemente ajudava a criar. Ainda assim, não correu ao seu encontro. "Se me ver atrás dela, pensa que sou louco, no mínimo pede explicações. E não sou bom em subterfúgios.". Não obstante, sua "loucura" era apenas ser apaixonado pela beleza da mulher. Beleza a qual o fazia decodificar a desconhecida, mesmo sabendo-se suscetível ao erro comum às deduções. Como a moça usava rubros óculos cor de seiva vívida, imaginava-a inteligente, um ser dotado de branda prosa. Capaz de acalmar ou instigar seu coração com falácias sobre literatura ou artes, nas noites onde as estrelas e vaga-lumes juntos excedessem o brilho artificial dos candeeiros das tavernas. Premeditava o cheiro e a maciez das ondulados madeixas vermelhas. "Devem ser tão olentes como...não flores, elogiam-lhes o odor, que para mim sempre foi de mato. Convençãozinha poética desgraçada! Clichê! Seus cabelos devem cheirar a perfume francês. Não, talvez às terras bucólicas irlandesas. É provável que sejam da consistência de uma sedosa bandeira régia holandesa! É isso!". Os olhos... nunca a olhara diretamente neles, posto que a espiava sempre quando podia. De longe notava-se o quão esverdeados eram. Tinham a verdura fresca do musgo das florestas virgens escocesas, e ainda o brilho de uma esmeralda prospectada afortunadamente numa mina europeia. Lançar o olhar à pele alva da moça era como ter uma nostalgia do futuro. Do rosto aos calcanhares, lembrava-lhe a neve ocidental, que nunca vira a não ser por imagens impressas em folhetins náuticos. Reaviva-lhe o desejo pueril de viajar e construir em tais terras frias uma vida ao lado de uma mulher como aquela. Regozijava-se nas epifanias. Tudo nela era a lembrança mais pura da Europa virgem, ainda pouco miscigenada. Apesar de também pensar no severo inverno europeu, não se importava: aprazia-lhe mais o frio e aquela moça do que o calor e quaisquer morenas dissimuladas de sua terra.

Acordou do agradável devaneio quando percebeu o papel anormalmente obumbrado. Tinta havia manchado sua camisa, cotovelo e boa parte da mesa, pois deixou-se inclinar desprevenido sobre o pote pelo torpor imbecil dos que sonham, mas não dormem. Sentiu a revolta subir ao pescoço, onde parou quando, devido à pensão estar deveras vazia àquele horário, ele percebeu o som distante e baixo de uma porta fechando-se. "Ela entrou". "Não queres entrar lá também?". Parou por um instante, surpreso com tal eco de pensamento. Era a voz de sua consciência que o tentava. Um tom de voz subordinado, entretanto demoníaco que o tornou desconfiado, porém sob um efeito inesquivável de sugestão. Então compreendeu que era isso que estava pairando atrás acima de sua cabeça todo o tempo. "A porta é fechada e não há campainhas nos quartos. Provavelmente ela deve estar banhando-se. Não ouvirá a porta caso eu a bata. Não há como". Disse-o mentalmente sem questionar o porquê do comportamento esquizofrênico, quase como que hipnotizado de todo. " No banho? Sim, na banheira! A pele alva, as madeixas vermelhas, os olhos verdes cerrados, tudo sob a água, sob um enxague que emana tentação. Por que não? Use escada para a caixa d'água, depois a janela, tolo! Depois... depois um homem apaixonado saberá o que fazer, ou sofrerá mais uma, duas, três, QUATRO MIL SEMANAS! É hora de decidires se és mero amante gratuito, pisado e escarro da solidão, ou um homem da querença de tê-la em seus braços ". Tais palavras do seu próprio ser confinaram-lhe a própria razão. O homem não venceu a si mesmo, ficou vulnerável, virou uma marionete de uma mera sugestão tão visível como o Deus cristão no inferno.

Seguiu todas as recomendações daquela voz sugestiva, até que deu por si trepado numa janela do quinto andar da pensão, observando seu objeto de desejo banhar-se num chuveiro, de pé sobre uma banheira lisa. Embora perplexo, sem entender direito como chegara a tal nível insano, seus olhos vislumbraram a moça, começando pelos belos cabelos ruivos, fios perfumados e ungidos com água. Na Espanha passariam a ser "Rojos". Depois passou aos brilhantes e meio abertos olhos verdurosos. No momento em que lhe vislumbrou a pele dos róseos seios, ela o percebeu em sua desavergonhez. Arregalou as esmeraldas em pânico e soltou um grito agudo assustado de menina apunhalada mesclado a um suspiro de donzela traída, ao tentar respirar mais ar . Mas não o conseguiu. De tão nervosos em suas vergonhas, escorregaram de onde estavam. Ele da borda da janela na qual segurava para a lança negra e enferrujada de um portão de ferro abaixo. Atingiu-o bem ao meio do tórax, que inutilmente servira àquele organismo para a proteção de um coração latente e amedrontado. Ela na queda aflita bateu a cabeça de encontro ao piso liso da alva banheira molhada. Apagou-se-lhe o brilho das esmeraldas, os cabelos mais vermelhos ficaram, a pele nívea maculou-se do próprio fluído que a corava em momentos tímidos. O rubro vinho da morte cobriu-lhes laconicamente ambos os cenários.

***

O escritor despertou de um sonho profundo e perturbador. Virou a dorida cabeça parcialmente enrijecida pela soneca ao relógio de parede. Viu-o marcar seis horas e trinta e quatro minutos da tarde. Dentro de quase quatro horas precisaria estar com o conto pronto no intuito inexorável de entregá-lo até o fim da madrugada ao diretor da redação, onde trabalhava das dez da noite até as quatro da manhã. E a primeira coisa que pensou para inspirá-lo fora justamente a única de que se lembrava do pesadelo. A que lhe infligia uma peculiar sensação de rasgão no peito. Pensou "Vermelho brandamente alaranjado, não". Concluiu "O rubro vinho da morte".

(PHP)
Madrugada de
29/02/2012


Ps.: Mal tem "Ps" hoje. Só quero dizer que uma Bela inspiração rende frutos magníficos. Quiçá mais diga depois se doces frutos no futuro eu provar de uma inspiração mais contínua. Quanto mais inspira(o)-me, mais oxigênio chega-me a cabeça. Assim melhor penso, assim melhor escrevo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Oh! Dúvida, Lanceira tão maligna

Oh! Dúvida, Lanceira tão maligna
Que meu o peito incoerente ferra.
À leda mente minha vem e aterra;
Cavoucar nela ferida fidedigna!

Cava, esparge dor, não é benigna,
Que tem este o ofício teu na terra.
A especialidade flebótoma não erra:
Na mais aguda nervura finca, indigna.

Passa de uma a mais, multiplica-se
Quando imagino uns olhos preclaros.
Turvam-me a vista dois olhos claros.

Tuas nuanças, alinhadas esferas cerúleas,
Desconheço; neurônios tenho aprisionados,
Se a nós a Dúvida inda mantêm apartados.


(PHP - Outubro de 2011)

Ps.: Um soneto escrito numa época onde para mim escrever era como cagar ouro, mas quando saia, "modéstia a parte", nesta parte (sacaste, Aparício, meu caro?), saia duro (rsssss), lapidado e precioso. Uma época onde lia feito padre, à proporção em que escrevia feito analfabeto; mais que nada, quase nada. Tempo onde degustei sonetos camonianos pela primeira vez. Onde comecei a "copia-los", pois que, parafraseando os dizeres de hoje do meu prof. de Lit. brasileira I, o bom poeta, para fazer boa poesia, necessita produzir primeiramente "Copiando Os Grandes" anteriores a ele, para, depois, após enjoar, produzir do próprio organismo. Na época não sabia disso, entretanto parece que tudo foi correlacionado hoje: a aula e os pensamentos paridos dela com minha premeditação de publicar este soneto no blog. Aquela também foi uma época onde dois diamantes, de longe cerúleos e, ao fim, indiretamente traiçoeiros, tiraram-me, mesmo que num intervalo tão célere como um pata centípede, de uma seca produtiva literária.